Paradoxo de um Diálogo
Mamãe, mamãe
Por que tu sempre me ignoras?
Eu fico gritando em vão
Tu me enxergas mas não me olhas
Mamãe, mamãe
Todo o tempo estive aqui
Só te peço que não finja
Que já desapareci
Mamãe, te digo
Nunca, ninguém maltratei
Se não quiseres, não vingo
Eu não te destronarei
Mamãe, me explica
Qual foi meu tão horrendo crime?
E por que já me criticas
Se você ainda não viu esse filme?
Mamãe, me escute
Pois continuo a gritar
Essas pessoas que te iludem
Não compreendem o que é de cá
Mamãe, mamãe
Eu te digo que morri
Mas nunca derramei sangue
A minha vida perdi
Sendo que eu nunca nasci
———————————————————————————————————————————————–
Essa poesia participou do Festimar 2008. O seu significado é muito extenso e forte e fala sobre um assunto que eu considero muito delicado.
Desde pequeno, eu nunca gostei muito que as pessoas tentassem mandar em mim e agir como se elas soubessem tudo sobre a minha vida e sobre as coisas que eu gosto ou não se fazer. Mesmo sabendo que eu não soberano sobre todas as minhas escolhas, eu sempre tive a certeza de que, exceto pela existência de Deus, ninguém sabe melhor o que eu vivo e o que posso esperar ou conseguir do que eu mesmo.
A cada dia que passa, à medida que vou observando a forma de agir das pessoas ao meu redor, eu sinto que a maioria das pessoas pensa da mesma forma. Ainda assim, essas mesmas pessoas gostam de se sentir acima do conhecimento alheio sobre as próprias vidas: não contentadas em tomar as próprias decisões, querem, também, apossar-se do direito alheio de escolher o que fazer. E, muitas vezes, conseguem.
Entretanto, se analisarmos a maioria dos casos, a pessoa que deixa o outro tomar uma decisão no seu lugar teve a escolha de fazer de tal maneira. A todos é dada a possibilidade de escolher ou não alguma coisa, afinal, isso é inerente ao ser humano!
Nós como seres humanos, temos em nós o diferencial da escolha. Nossas atitudes são todas paltadas em nossa noção de existência e de futuro, a qual inexiste em outros seres vivos. O ser humano é senhor da sua vida.
De fato, mesmo quando deixamos nossas decisões nas mãos de terceiros, ainda assim, estamos sendo soberanos nas nossas escolhas. Podemos intervir a qualquer momento, podemos recuar, podemos negar. Mas será que é realmente assim para todos os seres humanos?
O ser humano tem tanto poder sobre si que acaba achando que pode dominar outros seres humanos, mas não pode. O direito de um acaba quando começa o de outro. Que relação tem isso com o parágrafo anterior?
Um recém-nascido não pode decidir, não pode falar, mal consegue comer sozinho. Enfim, é completamente dependente dos pais. Estes darão a ele tudo do que nessecitar e virão ao socorro deste sempre que possível.
Mesmo que um pai e uma mãe não amem sua cria, eles jamais serão capazes de se livrar dela após o nascimento, afinal, há os avós, os amigos: todos já viram a criança! O ver é um conceito muito importante para o ser humano, afinal, define a importância de muita coisa…
Quantas pessoas não valorizam mais o exterior do que o interior das mulheres? São poucos que percebem o verdadeiro valor daquilo que não está a vista.
Bem assim ocorre com o indefeso feto. Ele ainda não pode agir por conta própria, mas é também um ser humano! Mas, ao contrário do recém-nascido, ele não pode ser visto…
Decidir se ele terá ou não condições de viver não cabe ao ser já nascido. Pensasse nisso antes de dá-lo à existência.
Com certeza, e eu digo isso com uma certeza que vem da minha alma, o diálogo entre uma criança prestes a ser abortada e a sua mãe transcorreria exatamente como a poesia no começo do tópico. Todos têm o direito de viver, e isso não muda na barriga da mãe!
O feto é diferente. Muitas vezes, é feio, indesejado, defeituoso… Mas é um ser humano. Se ele sofrerá ou não, que a vida o mostre isso. Que ele tenha a oportunidade de descobrir! Afinal, Beethoven era o filho de uma família com mais de dez irmãos e todos os seus irmãos tinham problemas genéticos! Ainda bem que a mãe dele não o abortou, mesmo com a pobreza, mesmo com o medo de ter mais um filho doente, mesmo com as dificuldades que enfrentaria. O mundo agradece.
Ao apoiar um aborto, diz-se não à vida. Será que não é egoísmo de quem já vive negar que o ser mais indefeso que existe possa habitar aqui conosco?
Falam-me de estupro. Fato. Deve ser muito duro para uma mãe saber que seu filho, aquele que ela amamenta e que carregou na barriga por cerca de nove meses, é o filho de alguém que a expôs a algo que, provavelmente, foi a maior humilhação da sua vida. Não nego, mas há dor maior.
A consciência de que, mesmo que por breves momentos, tomaram de ti a tua dignidade é algo arrasador. Dói no fundo da alma com muita força! Entretanto, a pessoa precisa superar isso ao longo tempo, caso contrário, não conseguirá viver. Se não superar isso, a tormenta a impedirá de fazer muitas coisas fundamentais e minará todos os relacionamentos mantidos por esta pessoa. A vida dela estará pautada sobre o medo de conflitos e a insegurança para com as pessoas que a cercam.
Mas não há peso maior na consciência de uma pessoa sã do que saber que tirou a vida de um ser humano. No momento que a mulher percebe que matou uma criança, ela ganha o fardo de ter tirado uma vida, algo que vai muito além de uma questão de honra e dignidade.
Ao não abortar, ela pode se abrir para aquela criança e, com ela, aprender a superar a dor causada à ela anteriormente. Eu sei que não é uma escolha fácil para a mulher, mas é a que mais traz alegria. Quando se supera uma dor, é grande a felicidade que recai sobre o ser humano.
Diga sim à vida. Aborto, não!
Texto original, clique aqui.

Muito triste! Mas faz refletir…
Você escreve muito bem! Quero ser igual a você quando eu crescer.